A adolescência é uma fase cheia de desafios, com um monte de mudanças físicas e emocionais rolando ao mesmo tempo. Nem sempre é fácil se encaixar ou lidar com esse turbilhão de sentimentos de um jeito tranquilo. Por isso, é super comum surgirem sinais de ansiedade, nervosismo, rebeldia, estresse e, em alguns casos, até coisas mais sérias, como transtornos alimentares, impulsividade, depressão ou pensamentos suicidas.
No começo da minha experiência com adolescentes, sentia que eles não se abriam com facilidade nas sessões, e com o tempo percebi, que na verdade, eles não sabem o que estão sentindo e muito menos como lidar com as emoções. No processo terapêutico, quando me deparo com essa realidade, começo falando desses sentimentos e e aos poucos, o paciente vai compreendendo o que de fato ele está sentindo, para dai sim, conectarmos com comportamento e equilíbrio.
A terapia pode ser uma grande aliada para enfrentar essas questões, independentemente de serem mais leves ou pesadas. Ela ajuda a entender melhor os próprios sentimentos, a se conhecer mais e a desenvolver ferramentas para lidar melhor com os relacionamentos e desafios do dia a dia.
Um ponto super importante na terapia é a confidencialidade. O que é conversado na sessão fica entre o adolescente e o terapeuta, sem que nada seja repassado para os pais ou responsáveis sem consentimento, e percebo que muitos possuem esse receio também. Isso garante um espaço seguro e de confiança para poder se abrir sem medo.
É transformador como psicóloga ver o processo de entendimento desse jovem. Amo como as "coisas" começam a fazer sentido, mesmo que ainda doloridas. É uma fase de enfrentamento com a maturidade.